
espelho
NÃO espelho
Reflexão que transita entre a Arte e o Design

O Espelho–Não–Espelho nasce da tensão entre função e percepção. Ao subverter a expectativa de um reflexo fiel, a peça propõe um deslocamento conceitual: o espelho deixa de ser apenas instrumento utilitário e passa a operar como mediador poético entre corpo, espaço e imagem.
A introdução de uma lâmina frontal em vidro canelado ou martelado — aplicada parcialmente sobre uma superfície refletiva — provoca distorções controladas no reflexo, instaurando um jogo visual entre nitidez e ruído, presença e abstração. O usuário não se vê por inteiro: vê-se em camadas, em fragmentos, em variações ópticas que transformam o ato cotidiano de se olhar em uma experiência sensorial e reflexiva. O resultado é um objeto que tensiona a própria ideia de espelho, operando no território limítrofe entre arte funcional e design conceitual.
A composição material é estruturada como um sistema de planos sobrepostos, no qual materiais distintos dialogam por contraste e complementaridade. A superfície refletiva passa a ser construída a partir da combinação de chapa de inox polido e chapa de latão polido, associadas a vidros especiais — canelados ou martelados. A substituição dos espelhos tradicionais por metais polidos introduz uma camada adicional de complexidade perceptiva: o reflexo torna-se mais matérico, levemente mais quente ou mais neutro conforme o metal, e sensível às variações de luz e do entorno.
Essas variações cromáticas, ópticas e texturais não operam apenas como escolha estética, mas como ferramenta de construção espacial, criando profundidade, ritmo e mudanças perceptivas conforme o deslocamento do observador e a incidência luminosa. A presença do metal polido reforça o caráter escultórico da peça e aproxima o objeto do campo da matéria arquitetônica, ampliando sua potência tátil e visual.
Mais do que um espelho, o Espelho–Não–Espelho se configura como um dispositivo de percepção. Um objeto que não se limita a refletir o espaço, mas o interpreta, o fragmenta e o devolve ao observador sob novas camadas de leitura. Trata-se de uma peça que convida à pausa, ao estranhamento sutil e à ampliação do olhar.

Dimensões
Espelhos-Não-Espelhos



O inox, pela sua natureza não ferrítica não sofrerá oxidação ao tempo, enquanto o latão, pela sua natureza ferrítica, sofrerá.
Essa dualidade compõe o design emocional da peça e introduz o "tempo"
como elemento ativo e presente.


